Violência: Jovens negros morrem mais do que não negros, indica relatório

Mortes violentas são causadas por crimes como homicídio e lesão corporal, além de intervenção policial

Daniel Corrá, da CNN, em São Paulo

27 de abril de 2021 às 11:17



Protesto do grupo Mães de Maio, em São Paulo, contra a violência praticada contra os jovens negros (2.abr.2017) Foto: Cris Faga/NurPhoto/Getty Images


Adolescentes e jovens negros morrem mais de forma violenta do que os jovens brancos no estado de São Paulo. Os dados são do relatório do Comitê Paulista pela Prevenção de Homicídios na Adolescência. Entre as mortes violentas, estão crimes como homicídio, latrocínio, lesão corporal e morte por intervenção policial.

Em 2019, a taxa de mortes para jovens negros, entre 15 e 19 anos, foi de 8,4 para cada 100 mil habitantes. Já entre não negros, o índice cai para 4,1/100 mil habitantes. Os dados consideram casos de homicídio, latrocínio e lesão e foram compilados a partir de informações da Secretaria da Segurança Pública do estado.


Considerando as mortes após intervenção policial, a desigualdade se mantém. A taxa de negros mortos em ocorrências na faixa etária apontada é de 5,6 para cada 100 mil habitantes; ante 2,4/100 mil para jovens e adolescentes não negros.

Levando em conta toda a população do estado, como crianças e adultos, o índice geral de mortes violentas também é maior para pessoas negras — e chega a dobrar em alguns casos. O relatório considera negros, a somatória entre pretos e partos. E não negros, a somatória de pessoas brancas e amarelas.


Considerando as mortes após intervenção policial, a desigualdade se mantém. A taxa de negros mortos em ocorrências na faixa etária apontada é de 5,6 para cada 100 mil habitantes; ante 2,4/100 mil para jovens e adolescentes não negros.

Levando em conta toda a população do estado, como crianças e adultos, o índice geral de mortes violentas também é maior para pessoas negras — e chega a dobrar em alguns casos. O relatório considera negros, a somatória entre pretos e partos. E não negros, a somatória de pessoas brancas e amarelas.

“A desigualdade racial é muito clara. É fruto de um racismo histórico no país, que se reflete em São Paulo. A maior parte de crianças e adolescentes que estão fora da escola, são negros. Homicídio não é uma forma única de violência, é o ponto final de um conjunto de violações de direitos da criança e do adolescente”, afirma a chefe do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em São Paulo, Adriana Alvarenga.

Como soluções, a chefe do Unicef em São Paulo defende melhor abordagem de policiais durante ocorrências e também políticas públicas focadas em crianças, adolescentes e jovens, garantindo, entre outros direitos, acesso pleno à educação. “É preciso dar oportunidades a esses meninos e meninas para que eles possam construir projetos de vida, que possam ter acesso ao trabalho e também estarem mais protegidos”, afirma Adriana.


Mortes em queda

O relatório do comitê, porém, lembra que as mortes violentas de crianças e adolescentes caíram 32% no estado entre 2015 e 2020. Ainda assim foram 3.165 mortes no período. “Dá para dizer que estamos avançando um pouco. Mas precisamos avançar ainda mais, porque nenhuma morte de criança e adolescente é admissível. Você não pode interromper a vida, ainda mais de forma violenta”, conclui Adriana Alvarenga.


A Secretaria da Segurança Pública do estado afirma que a queda nas mortes é resultado do combate à violência contra jovens e lembra que os óbitos por intervenção policial caíram 49% entre 2015 e 2020. A pasta informa que tem trabalhado na modernização das estruturas policiais e investido em equipamentos e tecnologias para ampliar a segurança de policiais e da população. A SSP também diz que vem perseguindo metas melhores e destaca que têm contato permanente com outras instituições públicas e organizações da sociedade civil para debater essas questões.