Sobe para 5.020 o número de crianças sem vaga em escola pública no estado de SP

Menina que chorou sem escola consegue vaga. Na capital, maior déficit está nas zonas Sul e Leste.

Por SP1 — São Paulo

07/02/2022 14h12 Atualizado há 6 horas



Ana Beatriz, que conseguiu vaga em escola pública — Foto: Reprodução/TV Globo Nesta segunda-feira (7), subiu para 5.020 o número de crianças que estão na fila de espera para conseguir se matricular na rede pública do estado de São Paulo, segunda a Secretaria estadual da Educação. Na sexta-feira (4), eram 4.200 vagas faltantes.

No sábado, o governador João Doria disse que novas vagas seriam abertas. Segundo o governador, os detalhes serão informados em uma coletiva de imprensa prevista para ocorrer na próxima quarta-feira (9). O maior número de crianças sem acesso a este direito básico está na capital paulista. Nesta segunda, o prefeito Ricardo Nunes disse que pode ter ocorrido um aumento da demanda de alunos que vieram da rede privada devido ao impacto econômico provocado pela pandemia de coronavírus. O que a gente pode falar com certeza é que não vai ficar nenhum aluno sem escola, sem aula aqui na cidade de São Paulo", prometeu o prefeito.

Na capital paulista, o maior déficit está nas zonas Sul e Leste. A prefeitura informou que salas de informática estão sendo transformadas em salas de aula e que não irá aumentar o número de alunos por sala, que é de até 30 pessoas.

Menina que chorou sem escola consegue vaga

A pequena Ana Beatriz, de 6 anos, chorou na semana passada porque não conseguiu vaga em uma escola.

"Só queria minha vaga", disse, chorando. Moradora da Zona Leste de São Paulo, a menina foi alfabetizada pelos pais durante a pandemia e sonhava em frequentar a escola neste ano.

Na sexta-feira (4), Ana conseguiu uma vaga na Escola Estadual Tom Jobim, a menos de 1 km de sua casa.

Nesta segunda (7), ela estava ansiosa para o primeiro dia. "Meu pai estava dormindo, e eu já estava acordada", contou a criança.

O pai ficou feliz por conseguir matricular a filha, mas se preocupa com os colegas que ainda estão sem vaga.

"Se é um direto da criança, está na Constituição, por que não faz valer a lei? As crianças merecem estudar", afirmou.

MP cobra solução

Nesta sexta (4), o promotor João Paulo Faustinoni, do Grupo de Atuação Especial de Educação (Geduc), oficiou as secretarias municipal e estadual da Educação de São Paulo para que, em dez dias, se manifestem sobre a falta de vagas para crianças no Ensino Fundamental e comprovem a solução para o problema.

O pedido se baseia em levantamento divulgado pelo jornal "Folha de S.Paulo" que mostra que ao menos 14 mil crianças estão na fila por uma matrícula no primeiro ano do Ensino Fundamental na capital paulista. Elas não conseguiriam vaga nem na rede estadual, que responde por cerca de 60% das matrículas, nem na municipal, que corresponde a 40%.


No Ensino Fundamental, a frequência escolar é obrigatória, de acordo com a Constituição.